“O olho do meu bebê fica sempre marejado e com uma secreção amarelada. O pediatra disse que é normal, mas já faz três meses.” Esse relato chega com frequência ao consultório. O olho lacrimejante no bebê é uma das queixas mais comuns nos primeiros meses de vida — e na maioria dos casos tem uma explicação simples e tratamento eficaz.
Sou a Dra. Laís Yumi Sakano, oftalmopediatra da Clínica Verto em Sorocaba. Neste artigo explico as causas do olho lacrimejante no bebê e quando é hora de avaliar com um especialista.
Por que o olho do bebê fica lacrimejando?
A causa mais comum é a obstrução do canal lacrimal.
As lágrimas são produzidas pela glândula lacrimal e drenadas por um canal que vai do canto interno do olho até o interior do nariz. Em alguns bebês, esse canal não se abre completamente ao nascimento, o que impede a drenagem normal das lágrimas.
O resultado é um olho constantemente úmido, com lágrimas escorrendo pelo rosto e secreção acumulada, especialmente ao acordar.
É normal ou é infecção?
Essa é a dúvida mais frequente dos pais. Obstrução do canal lacrimal e conjuntivite podem ter sinais parecidos, mas são condições diferentes.
Alguns pontos que ajudam a diferenciar:
- Na obstrução: secreção mucosa ou amarelada, olho não necessariamente vermelho, lágrima escorrendo pelo rosto
- Na conjuntivite: olho mais vermelho, secreção abundante, pode afetar os dois olhos
Somente o exame clínico confirma o diagnóstico e orienta o tratamento correto.
O canal lacrimal obstruído resolve sozinho?
Na maioria dos casos, sim. Cerca de 90% das obstruções do canal lacrimal se resolvem espontaneamente até os 12 meses de vida, com a maturação natural do canal.
Durante esse período, a conduta habitual inclui massagem no canto interno do olho (manobra de Crigler) para facilitar a abertura do canal, conforme orientação médica.
Quando a obstrução persiste após os 12 meses, pode ser necessário um procedimento de sondagem do canal lacrimal, realizado sob anestesia.
Quando levar ao oftalmologista?
A avaliação com especialista é indicada quando:
- O olho lacrimeja desde os primeiros dias e não melhora após algumas semanas
- A secreção é abundante ou recorrente
- Surge vermelhidão, inchaço no canto interno do olho ou febre
- O bebê chega próximo de 12 meses sem melhora
- Os pais têm dúvida sobre a causa e como realizar a massagem corretamente
Algumas condições mais raras, como glaucoma congênito, também podem causar lacrimejamento excessivo e precisam ser descartadas.
O que você não deve fazer
Evite usar colírios por conta própria sem avaliação médica. Antibióticos tópicos não resolvem a obstrução — só tratam eventuais infecções secundárias.
Também não adie a avaliação se o quadro não melhorar. Quanto mais cedo o canal for avaliado, mais simples é o tratamento — e menor a chance de procedimentos mais invasivos.
Lacrimejamento no bebê tem solução
A obstrução congênita do canal lacrimal raramente é grave. Mas merece avaliação para confirmar a causa, orientar a massagem corretamente e descartar outras condições que precisam de atenção.
A conduta certa, na hora certa, evita que um problema simples se torne mais complexo.
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Na Clínica Verto avaliamos o canal lacrimal do bebê em Sorocaba, com equipamentos pediátricos e orientação completa para os pais.
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Escrito por Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria (SBOP) e do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE).
Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
