“Meu filho reclama que os olhos ficam ardendo depois de um tempo na frente do computador. Pode ser olho seco?” Essa pergunta chegou ao consultório com muito mais frequência nos últimos anos. O olho seco em crianças existe — e está cada vez mais comum, principalmente com o aumento do uso de telas na rotina infantil.
Sou o Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto, oftalmologista da Clínica Verto em Sorocaba. Neste artigo explico o que é o olho seco, por que ele aparece em crianças e quando a avaliação com especialista é necessária.
O que é olho seco?
Olho seco é uma condição em que a superfície ocular não recebe lubrificação adequada — seja porque a produção de lágrima é insuficiente, seja porque a lágrima evapora rápido demais. O resultado é uma superfície exposta e irritada, que causa desconforto, ardência e sensação de areia nos olhos.
Em adultos, o olho seco é muito conhecido. Em crianças, ainda é subdiagnosticado — em parte porque a criança não sabe descrever bem o que sente, e em parte porque os pais associam os sintomas a outras causas, como alergia ou cansaço.
Por que o olho seco está aumentando em crianças?
O principal fator é o uso prolongado de telas. Quando os olhos ficam fixos em uma tela — celular, tablet, computador ou TV —, a frequência de piscar cai significativamente. O piscar é o mecanismo natural de lubrificação da superfície ocular. Piscar menos significa lágrima distribuída com menos frequência e evaporação mais rápida.
Outros fatores que contribuem em crianças:
- Ambientes com ar condicionado ou aquecimento artificial — reduzem a umidade do ar
- Rinite e alergias — inflamação que afeta também a superfície ocular
- Uso prolongado de colírios com conservantes
- Doenças autoimunes — menos comuns, mas possíveis
- Blefarite — inflamação das bordas das pálpebras que afeta a qualidade da lágrima
Quais são os sinais de olho seco em crianças?
Como a criança raramente diz “meu olho está seco”, os sinais mais comuns que os pais percebem são:
- Esfregação frequente dos olhos, especialmente após uso de telas
- Reclamações de ardência, coceira ou sensação de areia nos olhos
- Olhos vermelhos no final do dia ou após atividades visuais prolongadas
- Lacrimejamento paradoxal — o olho seco pode lacrimejar em excesso como resposta ao ressecamento
- Piscar com frequência anormal ou apertar os olhos para focar
- Irritabilidade após uso de tela sem motivo aparente
- Dificuldade de usar lentes de contato em adolescentes
Como o olho seco em crianças é avaliado e tratado?
A avaliação inclui exame da superfície ocular, análise da qualidade e quantidade da lágrima e investigação de causas associadas, como blefarite ou alergia.
O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas. As medidas mais comuns incluem:
- Lágrimas artificiais sem conservantes — para lubrificação da superfície
- Redução e pausas no tempo de tela — regra 20-20-20 (a cada 20 minutos, olhar para 6 metros por 20 segundos)
- Higiene palpebral — especialmente quando há blefarite associada
- Controle de alergia — quando é o fator principal
- Umidificação do ambiente em locais com ar condicionado
O que você não deve fazer
Evite usar colírios com vasoconstritores — os chamados “tira o vermelho” — para aliviar os sintomas. Eles reduzem a vermelhidão temporariamente, mas não tratam a causa e podem piorar o ressecamento com o uso frequente.
Também não ignore os sintomas achando que é só cansaço. Olho seco não tratado pode causar inflamação crônica da superfície ocular e, em casos mais graves, comprometer a qualidade da visão.
Olho seco tem tratamento — e começa com mudanças simples
Na maioria dos casos, o olho seco em crianças melhora com ajustes na rotina de telas e medidas simples de lubrificação. Mas quando os sintomas persistem ou são intensos, a avaliação com oftalmologista é fundamental para identificar a causa e orientar o tratamento correto.
Cuidar da superfície ocular na infância é cuidar da saúde visual a longo prazo.
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Na Clínica Verto realizamos avaliação completa da superfície ocular de crianças e adolescentes em Sorocaba, com equipamentos pediátricos e atendimento sem pressa.
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Escrito por Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da SBOP e do CBE.
