“O médico disse que minha filha vai precisar de cirurgia no canal lacrimal. A sondagem não resolveu. O que é essa cirurgia e como funciona?” Essa situação chega ao consultório após meses de acompanhamento de olho lacrimejante que não resolveu com o tratamento conservador. A dacriocistorrinostomia — DCR — é o procedimento indicado nesses casos, e entender o que ela envolve ajuda os pais a tomarem a decisão com mais segurança.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista da Clínica Verto em Sorocaba. Neste artigo explico o que é a dacriocistorrinostomia, quando ela é indicada em crianças, como é realizada e qual é o resultado esperado.
O que é a dacriocistorrinostomia (DCR)?
A dacriocistorrinostomia é uma cirurgia que cria uma nova via de drenagem para as lágrimas, diretamente do saco lacrimal para o interior do nariz — bypassando o canal nasolacrimal obstruído que não pôde ser desobstruído por métodos menos invasivos.
O nome parece complexo, mas o princípio é simples: quando o canal natural não funciona e não pode ser aberto, cria-se um canal alternativo para que as lágrimas escoem normalmente e o olho pare de lacrimejar.
Quando a DCR é indicada em crianças?
A maioria das obstruções congênitas do canal lacrimal resolve espontaneamente até os 12 meses, com massagem (manobra de Crigler). Quando isso não acontece, o próximo passo é a sondagem do canal — um procedimento simples realizado sob anestesia que tenta abrir mecanicamente a obstrução.
A DCR é indicada quando:
- A sondagem falhou — o canal não abriu ou voltou a obstruir após o procedimento
- A obstrução é anatômica — por estreitamento, ausência ou malformação do canal, que não pode ser resolvida com sondagem
- Há dacriocistite crônica — infecção recorrente do saco lacrimal com episódios repetidos de secreção, inchaço e dor
- A criança tem mais de 1 ano com obstrução persistente — a janela para resolução espontânea já passou
Como é realizada a cirurgia?
Em crianças, a DCR é realizada sob anestesia geral. Existem duas abordagens principais:
DCR externa: uma pequena incisão é feita na pele ao lado do nariz, próximo ao canto interno do olho. O cirurgião acessa o saco lacrimal e cria uma abertura diretamente para a cavidade nasal, inserindo um tubo de silicone temporário para manter o trajeto aberto durante a cicatrização.
DCR endoscópica (via endonasal): realizada por dentro do nariz, sem incisão externa. Uma câmera endoscópica guia o procedimento. Não deixa cicatriz visível e tem recuperação mais rápida, mas exige equipamento específico e é tecnicamente mais complexa em crianças pequenas.
A escolha da abordagem depende da anatomia da criança, da experiência do cirurgião e das características da obstrução.
Qual é o resultado esperado?
A taxa de sucesso da DCR em crianças é alta — entre 85% e 95% nos casos bem indicados. Após a cirurgia e a retirada do tubo de silicone, a grande maioria das crianças para de lacrimejar e não apresenta mais episódios de secreção ou infecção do canal lacrimal.
O acompanhamento pós-operatório inclui consultas regulares para verificar o posicionamento do tubo e a cicatrização do novo trajeto.
O que você não deve fazer
Não adie indefinidamente a decisão cirúrgica quando a indicação já está clara. Obstrução persistente com infecções recorrentes pode causar dano ao saco lacrimal e à via lacrimal que complica o procedimento futuro. Quanto mais tarde a cirurgia, mais complexa ela tende a ser.
Também não tente mais sondagens repetidas quando a obstrução é claramente anatômica ou quando já houve duas tentativas sem sucesso. A DCR tem resultados muito superiores nesses casos e evita procedimentos desnecessários sob anestesia.
Quando a sondagem não resolve, a DCR é a solução
A dacriocistorrinostomia é um procedimento bem estabelecido, com alta taxa de sucesso e recuperação relativamente rápida. Para crianças com obstrução lacrimal persistente que não respondeu ao tratamento conservador, ela representa o fim de anos de olho lacrimejante, secreção e infecções repetidas.
A decisão de operar deve ser tomada em conjunto com o oftalmologista, com base na história clínica completa e nas características da obstrução de cada criança.
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Na Clínica Verto avaliamos obstruções do canal lacrimal em crianças de todas as idades em Sorocaba, orientando sobre o momento certo para cada intervenção.
Escrito por Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da SBOP e do CBE.
