Corpo estranho no olho da criança: o que fazer e o que não fazer
“Meu filho está com areia no olho e não para de chorar. O que eu faço?” Esse tipo de situação acontece com frequência — e a reação dos pais nos primeiros minutos faz toda a diferença. Corpo estranho no olho de criança é uma das urgências oftalmológicas mais comuns, e saber como agir corretamente evita complicações sérias.
Sou a Dra. Laís Yumi Sakano, oftalmopediatra em Sorocaba. Neste artigo explico o que fazer quando uma criança tem algo no olho, quais situações exigem atendimento imediato e os erros mais comuns que podem piorar o quadro.
Quais são os tipos mais comuns de corpo estranho no olho infantil?
Na infância, os corpos estranhos oculares mais frequentes são:
- Areia, poeira e partículas finas — os mais comuns, geralmente superficiais
- Fragmentos de madeira, plástico ou metal — mais preocupantes, podem penetrar
- Cílios ou pelos — incômodos mas raramente graves
- Insetos — causam reação intensa mas costumam ser superficiais
- Produtos químicos — detergente, spray, cloro — considerados emergência
A gravidade depende do tipo, do tamanho e da velocidade com que o objeto atingiu o olho. Um grão de areia que entrou com o vento é muito diferente de um fragmento que atingiu o olho com força.
O que fazer quando a criança tem algo no olho?
A primeira medida depende do tipo de corpo estranho:
Para partículas finas (areia, poeira, cílio): lave o olho com água corrente limpa ou soro fisiológico em abundância, por pelo menos 5 minutos. Peça para a criança piscar várias vezes durante a lavagem. Na maioria dos casos, o corpo estranho superficial sai com a irrigação.
Para produtos químicos (detergente, cloro, spray): lave imediatamente com água em abundância por no mínimo 15 a 20 minutos sem interrupção — essa é a medida mais importante. Depois, leve ao pronto-socorro ou oftalmologista com urgência, mesmo que o olho pareça melhor.
Para fragmentos com impacto (metal, madeira, projéteis): não tente remover. Cubra o olho frouxamente com um copo ou bandagem sem pressionar e vá imediatamente ao pronto-socorro. Pressionar pode aprofundar o objeto e agravar a lesão.
Quando ir ao oftalmologista mesmo após a lavagem?
A lavagem resolve a maioria dos casos superficiais, mas a avaliação com especialista é necessária quando:
- A dor ou o desconforto persistem após a lavagem
- A criança continua com o olho fechado ou não consegue abrir
- Há vermelhidão intensa, lacrimejamento excessivo ou sensibilidade à luz após a lavagem
- A visão parece embaçada ou alterada
- Houve contato com produto químico — sempre avaliar, mesmo com lavagem adequada
- O objeto atingiu o olho com velocidade ou força
- Você não tem certeza se o corpo estranho saiu completamente
O que você não deve fazer
Não esfregue o olho da criança. O reflexo é imediato, mas esfregar pode arranhar a córnea ou aprofundar o corpo estranho. Segure as mãos da criança se necessário e instrua a não coçar.
Não tente retirar o objeto com os dedos, cotonete ou qualquer outro instrumento. A córnea é extremamente delicada — qualquer tentativa de remoção manual pode causar lesões graves.
Não use colírio anestésico por conta própria para “aliviar a dor e ver melhor”. Esses colírios mascaram a dor e podem fazer a família subestimar a gravidade da situação — além de não serem indicados para uso domiciliar.
Calma e ação rápida protegem o olho da criança
Na maioria dos casos, corpo estranho superficial no olho de criança resolve com lavagem adequada e não deixa sequelas. O que faz diferença é agir com calma, não esfregar e lavar corretamente.
Nos casos mais graves — impacto com força, produto químico ou sintomas que persistem — a avaliação oftalmológica é urgente e não deve ser adiada.
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Escrito por Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria (SBOP) e do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE).
Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
