“A professora disse que minha filha força toda hora para enxergar. Será que é astigmatismo?” Essa é uma pergunta muito comum no consultório. O astigmatismo em crianças é um dos erros refrativos mais frequentes na infância — e um dos que mais passam despercebidos, justamente porque a criança nunca soube como seria enxergar sem ele.
Sou a Dra. Laís Yumi Sakano, oftalmopediatra em Sorocaba. Neste artigo explico o que é o astigmatismo, como ele aparece em crianças e quando é preciso usar óculos.
O que é astigmatismo em crianças?
Astigmatismo é uma irregularidade na curvatura da córnea ou do cristalino. Em vez de ser perfeitamente esférica, a superfície do olho tem curvaturas diferentes em direções distintas.
O resultado é que a luz não foca em um único ponto na retina. Isso causa imagens borradas ou distorcidas tanto de perto quanto de longe.
O astigmatismo pode ser hereditário e estar presente desde o nascimento. Graus leves são muito comuns e podem não precisar de correção. Graus mais elevados, especialmente se assimétricos entre os dois olhos, merecem atenção.
Quais os sinais de astigmatismo em crianças?
Como a criança não tem referência de como deveria enxergar, dificilmente vai reclamar de visão embaçada. Os sinais que os pais e professores percebem são:
- Franzir os olhos ao focar em objetos próximos ou distantes
- Aproximar muito o rosto do papel ao escrever ou desenhar
- Dores de cabeça frequentes, especialmente após atividades visuais prolongadas
- Cansaço visual rápido na leitura
- Dificuldade para copiar do quadro ou enxergar letras menores
Queda de rendimento escolar sem causa aparente também pode ser sinal de erro refrativo não corrigido.
Astigmatismo pode causar ambliopia?
Sim — e esse é um dos pontos mais importantes. Quando o astigmatismo é elevado em um olho, ou quando existe assimetria grande de grau entre os dois olhos, o cérebro pode começar a ignorar a imagem do olho com pior qualidade visual.
Isso leva à ambliopia, o chamado olho preguiçoso. Nesse caso, não basta só prescrever o óculos — é preciso tratar ativamente o olho mais fraco.
Por isso, o diagnóstico precoce do astigmatismo infantil é tão importante: ele previne uma perda de visão que seria evitável.
Como é diagnosticado o astigmatismo em crianças?
O exame é feito com colírio ciclopégico, que relaxa o músculo do foco e permite medir o grau real dos olhos sem a compensação muscular da criança. Sem esse colírio, o astigmatismo pode ser subestimado.
A retinoscopia é o método principal para essa avaliação — e não depende de nenhuma resposta da criança, o que torna o exame viável mesmo em bebês.
O que você não deve fazer
Evite adiar o exame porque a criança “não reclama dos olhos”. Astigmatismo raramente causa dor — a criança simplesmente se acostuma com a visão distorcida e não sabe que poderia enxergar melhor.
Também não confie apenas na triagem escolar. Esses testes detectam redução de acuidade, mas não quantificam o grau nem identificam assimetrias entre os olhos — que são justamente o que pode causar ambliopia.
Enxergar com nitidez é um direito da criança
O astigmatismo tem correção simples e eficaz com óculos. Quando tratado na idade certa, não deixa sequelas. Mas quando ignorado, pode comprometer o desenvolvimento visual de forma permanente.
Um exame completo hoje pode garantir que seu filho enxergue, aprenda e se desenvolva com toda a nitidez que ele merece.
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Na Clínica Verto realizamos avaliação completa de astigmatismo em crianças de todas as idades, com colírio ciclopégico e equipamentos pediátricos.
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Escrito por Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria (SBOP) e do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE).
Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
