“O pediatra disse que o olho do meu filho parece grande demais. Pediu avaliação com oftalmologista com urgência. Pode ser glaucoma?” Essa situação assusta qualquer pai. E a resposta rápida faz toda a diferença. O glaucoma infantil é raro, mas é uma das causas mais sérias de perda visual na infância — e os sinais estão muitas vezes diante dos pais sem que saibam o que procurar.
Sou o Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto, oftalmologista da Clínica Verto em Sorocaba. Neste artigo explico o que é o glaucoma infantil, como reconhecer os sinais e por que o diagnóstico precoce é urgente.
O que é glaucoma infantil?
Glaucoma é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão dentro do olho, que danifica progressivamente o nervo óptico. Nos adultos, ele costuma ser silencioso. Nas crianças, especialmente nos bebês, o olho pode expandir com o aumento de pressão — o que produz sinais mais visíveis.
O glaucoma congênito está presente ao nascimento ou surge nos primeiros meses de vida, por uma formação inadequada do sistema de drenagem do humor aquoso dentro do olho.
Quais são os sinais de glaucoma infantil?
Ao contrário do glaucoma do adulto, o glaucoma infantil costuma dar sinais que os pais podem perceber:
- Olho visivelmente maior que o outro (buftalmo)
- Córnea com aspecto embaçado, esbranquiçado ou maior que o normal
- Sensibilidade excessiva à luz (fotofobia) — o bebê fecha os olhos ou chora ao ser exposto à luz
- Lacrimejamento excessivo sem causa aparente
- Olho vermelho persistente
Esses sinais, especialmente quando combinados, merecem avaliação imediata.
Como o glaucoma infantil é diagnosticado?
O exame inclui medição da pressão intraocular, avaliação do diâmetro da córnea, exame do nervo óptico e gonioscopia (avaliação do ângulo de drenagem do olho).
Em bebês, parte desse exame pode exigir anestesia para ser feita com precisão. A avaliação deve ser feita por oftalmologista com experiência em oftalmopediatria e em glaucoma.
Qual é o tratamento do glaucoma infantil?
O tratamento do glaucoma congênito é principalmente cirúrgico. O objetivo é criar uma nova via de drenagem para o humor aquoso e reduzir a pressão intraocular antes que o nervo óptico seja danificado de forma permanente.
Medicamentos tópicos (colírios) podem ser usados como complemento, mas raramente são suficientes sozinhos em crianças.
Após o controle da pressão, o acompanhamento é contínuo e inclui monitoramento do nervo óptico e tratamento de eventuais sequelas visuais, como ambliopia.
O que você não deve fazer
Não ignore o olho maior ou a córnea embaçada achando que é só característica da criança. Glaucoma infantil é raro, mas quando está presente cada semana sem tratamento representa dano permanente ao nervo óptico.
Também não confunda lacrimejamento com obstrução de canal lacrimal sem descartar glaucoma. As duas condições podem se parecer nos primeiros meses — e o exame especializado é o que diferencia.
Identificar cedo salva a visão
O glaucoma infantil é sério, mas tratável quando identificado a tempo. O dano ao nervo óptico é irreversível, mas pode ser interrompido com o tratamento certo no momento certo.
Os sinais existem. Os pais que os conhecem chegam mais cedo — e isso faz toda a diferença para o futuro visual da criança.
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A Clínica Verto realiza avaliação completa da pressão ocular e saúde do nervo óptico em bebês e crianças em Sorocaba.
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Escrito por Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da SBOP e do CBE.
