“Nosso filho nasceu prematuro e ficou na UTI neonatal. O neonatologista falou em fazer exame dos olhos. Para que serve isso?” Essa dúvida chega muito ao consultório — e a resposta é mais importante do que muitos pais imaginam. A saúde ocular do bebê prematuro merece atenção especial, porque os olhos são um dos últimos órgãos a completar seu desenvolvimento dentro do útero.
Sou a Dra. Laís Yumi Sakano, oftalmopediatra em Sorocaba. Neste artigo explico quais são os principais riscos oculares do prematuro e por que o acompanhamento especializado é fundamental.
Por que bebês prematuros têm mais risco ocular?
O desenvolvimento da vascularização da retina só se completa por volta da 40ª semana de gestação — ou seja, no termo. Bebês que nascem antes disso têm uma retina ainda em formação.
Quando o bebê prematuro é exposto ao ambiente externo e ao oxigênio suplementar da UTI, esse processo pode ser alterado. Em alguns casos, surgem vasos anormais na retina — uma condição chamada retinopatia da prematuridade (ROP).
A ROP pode ser leve e regredir sozinha, ou progredir para descolamento de retina e perda visual permanente. Por isso o rastreamento é obrigatório.
Quem deve fazer o exame de rastreamento?
Toda criança que nasceu:
- Com menos de 32 semanas de idade gestacional
- Com peso ao nascimento abaixo de 1.500 gramas
- Ou com mais de 32 semanas, mas com curso clínico instável ou exposta a oxigênio por tempo prolongado
O primeiro exame deve ser feito entre a 4ª e a 6ª semana de vida, ou conforme orientação do neonatologista. O seguimento depende do resultado.
Além da ROP: outros riscos oculares do prematuro
A retinopatia é a condição mais conhecida, mas não é a única. Crianças prematuras também têm maior risco de:
- Miopia e outros erros refrativos (frequentemente mais elevados)
- Estrabismo
- Ambliopia
- Glaucoma
- Atraso no desenvolvimento visual
Por isso, mesmo após a alta da UTI e o encerramento do rastreamento de ROP, o acompanhamento oftalmológico regular ao longo da infância é importante.
Como é feito o exame de fundo de olho no prematuro?
O exame é realizado com colírio para dilatar a pupila e um instrumento chamado oftalmoscópio indireto, que permite visualizar toda a periferia da retina — exatamente onde as alterações da ROP costumam aparecer.
O exame pode ser feito ainda na UTI neonatal ou ambulatorialmente, conforme a situação do bebê. É seguro e não causa dano ao olho.
O que você não deve fazer
Não adie o exame de rastreamento. A ROP é uma das poucas causas de cegueira infantil que pode ser evitada — mas só quando detectada antes de progredir para estágios avançados.
Também não encerre o acompanhamento após a alta da UTI. O prematuro precisa de revisões periódicas ao longo da infância para garantir que o desenvolvimento visual esteja adequado.
Cuidar cedo protege a visão para sempre
O prematuro já enfrentou muitos desafios. A saúde ocular não precisa ser mais um. Com rastreamento correto e acompanhamento regular, a grande maioria das crianças prematuras cresce com visão normal.
O primeiro passo é garantir que o exame seja feito no momento certo.
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A Clínica Verto realiza avaliação oftalmológica completa e acompanhamento do desenvolvimento visual de bebês prematuros em Sorocaba.
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Escrito por Dra. Laís Yumi Sakano · Oftalmopediatra e Especialista em Estrabismo · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Chefe do ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba · Membro da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria (SBOP) e do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE).
Dr. Felipe Zocatelli Yamamoto · Oftalmologista · CRM-SP 201.208 · RQE 101.037 · Especialista em Catarata e Glaucoma pela Santa Casa de São Paulo e UNIFESP.
